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Copom mantém taxa Selic em 15 por cento pela segunda vez consecutiva e sinaliza juros altos por período prolongado

Brasília — Em decisão amplamente esperada pelo mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central anunciou nesta quarta-feira, 17 de setembro de 2025, a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 15 por cento ao ano. Esta é a segunda reunião consecutiva em que o colegiado opta por manter a taxa no mesmo patamar, o mais elevado desde julho de 2006.

A interrupção do ciclo de alta ocorreu em julho, após uma escalada iniciada em setembro de 2024 que somou quatro vírgula cinco pontos percentuais — o segundo maior movimento de aperto monetário em duas décadas. A decisão desta semana reforça o compromisso do Banco Central com uma política monetária contracionista, considerada necessária para conter a inflação e ancorar expectativas de mercado.

Inflação dá sinais de desaceleração, mas ainda preocupa

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou queda de zero vírgula onze por cento em agosto, após alta de zero vírgula vinte e seis por cento em julho. No acumulado de doze meses, a inflação desacelerou de cinco vírgula vinte e três para cinco vírgula treze por cento. Apesar dos sinais iniciais de moderação, o Copom considera que os dados ainda não são suficientemente consistentes para justificar uma redução da Selic.

Segundo o comunicado oficial, o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para cinco vírgula seis por cento no trimestre encerrado em julho, com crescimento da massa salarial acima da inflação, o que pode estimular o consumo e dificultar o controle inflacionário.

Cautela diante do cenário internacional

A decisão do Copom ocorre em um contexto de incertezas externas. Também nesta quarta-feira, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, anunciou o primeiro corte de juros do ano, reduzindo sua taxa básica em zero vírgula vinte e cinco ponto percentual. O Copom, no entanto, descartou qualquer pressa em seguir o movimento, citando a volatilidade dos mercados globais e os riscos geopolíticos como fatores que exigem prudência.

Expectativas para o futuro

A maior parte dos analistas projeta que a Selic permanecerá em quinze por cento até o início de 2026. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027 é de três vírgula quatro por cento, ainda acima da meta de três por cento estipulada pelo Banco Central. Para que haja espaço para cortes na taxa de juros, os economistas apontam a necessidade de uma desaceleração mais uniforme da atividade econômica e uma trajetória mais clara de convergência da inflação à meta.

Impacto na economia

A manutenção da Selic em patamar elevado tem efeitos diretos sobre o crédito, o consumo e os investimentos. A equipe econômica do governo já revisou para baixo as projeções de crescimento para 2025, diante do cenário de juros altos. Para os consumidores, o impacto é sentido no encarecimento de financiamentos e empréstimos, enquanto empresas enfrentam custos maiores para capitalização e expansão.

A economista Raphaela Spilberg, sócia da Vinland, afirmou: “O mais importante é que a projeção de inflação futura do Banco Central esteja na meta. Não tem como cortar a Selic se o próprio modelo do Banco Central não atingiu três por cento no seu horizonte.”

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