Amazônia registra queda histórica nas queimadas em 2025, mas cicatrizes de 2024 ainda preocupam
No primeiro semestre de 2025, a Amazônia apresentou uma redução expressiva nas áreas atingidas por queimadas, com cerca de 247,9 mil hectares afetados — uma queda de 75,4% em relação ao mesmo período de 2024, quando mais de 1,1 milhão de hectares foram consumidos pelo fogo. O dado, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, representa um dos melhores resultados já registrados desde o início da série histórica.

Especialistas atribuem a melhora a uma combinação de fatores. As chuvas foram mais regulares na região norte, diminuindo a propagação das chamas. Além disso, o número de brigadistas federais aumentou 26%, totalizando 4.385 profissionais atuando nos principais biomas brasileiros. O Fundo Amazônia também desempenhou papel decisivo, com o repasse de R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal.
Outro marco foi a entrada em vigor da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, sancionada em julho de 2024. A nova legislação fortaleceu a articulação entre União, estados, municípios, comunidades locais e setor privado, promovendo ações preventivas e o uso controlado do fogo em áreas rurais e florestais.
Apesar da redução dos focos de calor, os incêndios de 2024 deixaram marcas profundas. Muitas áreas afetadas só foram identificadas como desmatamento em 2025, após a dissipação da cobertura de nuvens e a captação dos dados pelos satélites, que revelaram a real extensão da degradação. Isso provocou um aumento significativo nos alertas de “desmatamento com vegetação”, que indicam áreas degradadas pelo fogo, mas ainda com cobertura vegetal parcial.
No primeiro trimestre de 2025, Roraima foi o estado mais afetado, com cerca de 415 mil hectares queimados durante a estação seca. Pará e Maranhão também registraram grandes áreas atingidas, com impactos em pastagens e vegetação campestre. No Amazonas, mesmo com ações intensificadas de prevenção, cerca de 55 mil hectares foram consumidos pelas chamas.

Para enfrentar os desafios futuros, o governo federal intensificou medidas estruturantes. Entre elas estão a contratação de helicópteros para combate aéreo, elaboração de planos de ação específicos para todos os biomas e repasses técnicos e financeiros para municípios prioritários na Amazônia e no Pantanal.
Embora os números sejam positivos, especialistas alertam que o período seco ainda pode trazer riscos, especialmente diante da previsão de eventos climáticos extremos. A governança do fogo, agora respaldada por legislação e recursos, será posta à prova nos próximos meses.



Publicar comentário