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Brasil entra na rota global das terras raras com cratera de vulcão em Minas Gerais

A crescente demanda por energia limpa e tecnologias sustentáveis tem colocado os chamados minerais estratégicos no centro das atenções globais. Entre eles, os elementos conhecidos como terras raras — um grupo de 17 minérios de difícil extração — são essenciais para a produção de ímãs supermagnéticos usados em turbinas eólicas, motores de carros elétricos, satélites e equipamentos militares.

Em Poços de Caldas, Minas Gerais, a cratera de um vulcão extinto pode conter até 300 milhões de toneladas de terras raras, o suficiente para suprir cerca de 20 por cento da demanda mundial. A região, que abrange também os municípios de Andradas, Caldas e Águas da Prata, em São Paulo, tem atraído empresas nacionais e internacionais que disputam autorizações para exploração.

Segundo a Agência Nacional de Mineração, foram concedidas 1.882 autorizações de pesquisa desses minerais no país, sendo 361 em Minas Gerais, com aproximadamente um terço concentrado na região de Poços de Caldas.

Entre os elementos mais procurados estão o neodímio e o praseodímio, fundamentais na fabricação de ímãs permanentes de alta potência, utilizados em tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. A liga formada por neodímio, ferro e boro é considerada uma das mais potentes existentes.

Apesar de tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o governo norte-americano tem demonstrado interesse em firmar acordos de aquisição desses minérios, conforme informado pelo Instituto Brasileiro de Mineração. A iniciativa integra a estratégia americana de reduzir sua dependência da China, líder global na produção de terras raras.

Com a segunda maior reserva mundial desses elementos, o Brasil possui potencial para se tornar protagonista na transição energética global. Especialistas destacam, no entanto, a necessidade de investimentos em refino, beneficiamento e tecnologia industrial para evitar que os recursos sejam exportados como matéria-prima bruta.

Na região de Poços de Caldas, os minérios estão concentrados em argilas iônicas a apenas 30 metros de profundidade. Esse tipo de formação permite uma extração menos agressiva ao meio ambiente, e técnicas como o preenchimento de áreas mineradas com material escavado tornam o processo mais sustentável.

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