Destaques

Trump impõem tarifa de 50% sobre cobre canadense: tensão comercial reacende entre Washington e Ottawa

Em uma medida que reacende tensões comerciais entre Estados Unidos e Canadá, o governo americano anunciou a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos de cobre importados, incluindo os provenientes do Canadá. A decisão, que entrou em vigor em 1º de agosto, foi justificada pela Casa Branca como uma resposta à crescente dependência externa de materiais estratégicos, como o cobre, essencial para a indústria de defesa e infraestrutura crítica dos EUA.

Motivações da tarifa

Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, a medida foi tomada após uma investigação da Seção 232, que concluiu que as importações de cobre representam uma ameaça à segurança nacional americana. O cobre é utilizado em sistemas militares, veículos terrestres, aeronaves e submarinos, além de ser vital para redes elétricas e telecomunicações.

Reação do governo canadense

O governo canadense reagiu com firmeza. A ministra de Comércio Internacional, Mélanie Joly, classificou a tarifa como injustificada e prejudicial à cooperação bilateral. Em comunicado oficial, Ottawa anunciou que está avaliando medidas de retaliação, incluindo tarifas sobre produtos agrícolas e tecnológicos americanos. O primeiro-ministro Mark Carney declarou que o Canadá não aceitará ser penalizado por políticas protecionistas que ignoram décadas de parceria comercial sólida.

Além das medidas de retaliação, o governo canadense também anunciou que está buscando ativamente diversificar seus parceiros comerciais para reduzir a dependência dos Estados Unidos. O ministro do Comércio Exterior, Maninder Sidhu, afirmou que o Canadá está avançando em negociações com o Mercosul e ampliando acordos de livre comércio com países da Europa, Ásia e América Latina. O Reino Unido, Brasil, Alemanha e Japão estão entre os mercados que já registram aumento nas exportações canadenses.

Bloqueio de encomendas e boicote ao mercado americano

Em resposta às tarifas, o Canadá também iniciou um bloqueio informal de encomendas feitas ao mercado americano. Segundo levantamento da Leger Marketing, 55% dos consumidores canadenses reduziram suas compras na Amazon e em outras plataformas americanas. Lojas e supermercados passaram a retirar produtos dos EUA das prateleiras, e campanhas como “Compre do Canadá” ganharam força em todo o país. O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, ordenou a retirada de bebidas alcoólicas americanas dos distribuidores provinciais, e sites como Made in CA passaram a oferecer alternativas locais aos produtos importados.

Repercussões no mercado americano

A imposição da tarifa já provocou turbulência nos mercados. Indústrias dependentes de cobre nos EUA, como a automobilística e de eletrônicos, alertaram para aumento de custos e possíveis atrasos na produção. Empresas de construção civil temem encarecimento de projetos devido à alta nos preços de fios e tubulações de cobre. A bolsa de valores registrou queda nas ações de fabricantes que dependem de insumos canadenses.

A Associação Nacional de Fabricantes dos EUA pediu ao Congresso que revise a medida, alegando que ela pode prejudicar a competitividade americana em setores estratégicos.

Contexto internacional

A medida faz parte de uma ofensiva mais ampla do presidente Donald Trump, que elevou tarifas sobre metais de diversos países, incluindo Brasil, Suíça e África do Sul. O Canadá, que já enfrentava uma tarifa de 25% sobre o aço, viu esse número subir para 35% recentemente.

A escalada tarifária entre os dois vizinhos reacende o debate sobre protecionismo e segurança econômica. Com retaliações à vista, bloqueio de encomendas e esforços canadenses para diversificar mercados, especialistas alertam para o risco de uma guerra comercial prolongada que pode afetar cadeias globais de suprimentos e redes de produção integradas.

Publicar comentário