Tarifa dos Estados Unidos ameaça milhares de negócios da bioeconomia na Amazônia
Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IMPA), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), revelou que as tarifas de até cinquenta por cento impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem afetar diretamente cinco mil e quatrocentos empreendimentos da bioeconomia na Amazônia Legal, 54% de 11 mil CNPJs . A medida preocupa produtores locais, especialmente cooperativas, pequenos agricultores e bioindústrias que dependem da exportação para o mercado norte-americano.
Entre os produtos mais vulneráveis estão o açaí, o cacau, o mel, óleos vegetais, pescados e temperos, todos fora da lista de isenções tarifárias. Apenas a castanha-do-pará e a borracha natural foram poupadas da sobretaxa. De acordo com o levantamento, pelo menos duzentos e dezesseis empreendimentos exportadores serão diretamente impactados, mas o efeito pode se espalhar por toda a cadeia produtiva regional.

O estudo também alerta para o risco social da medida, já que essas cadeias produtivas envolvem comunidades tradicionais e agricultores familiares. Gabriela Savian, diretora de Políticas Públicas do Instituto, afirma que, apesar da isenção de alguns itens como a castanha-do-pará, o tarifaço tende a aumentar a pressão econômica sobre pequenos produtores e bioindústrias.
As exportações desses produtos amazônicos para os Estados Unidos somaram cerca de cento e sessenta e cinco milhões de dólares em dois mil e vinte e quatro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O estado do Pará respondeu por mais de noventa por cento desse volume, com destaque para o açaí, peixes, pimenta e castanha-do-pará.


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