Popularidade de Lula sobe em meio à crise do tarifaço e embate com Bolsonaro
Em meio à turbulência diplomática provocada pelo tarifaço de Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu sua popularidade apresentar sinais de recuperação. Segundo a mais recente pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 20 de agosto, a avaliação positiva do governo subiu para 31%, enquanto a negativa recuou para 39%. Outros 27% classificam a gestão como regular, e 3% não souberam responder.
Os números representam uma melhora em relação à rodada anterior, realizada em julho, quando a aprovação era de 28% e a desaprovação atingia 40%. A diferença entre os dois índices caiu para 8 pontos percentuais, o menor patamar desde maio, quando a distância era de 17 pontos.
A pesquisa ouviu 12.150 pessoas entre os dias 13 e 17 de agosto, em oito estados brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A melhora ocorre em meio à crise comercial com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, medida que afetou diretamente setores como café, frutas e autopeças. O governo Lula reagiu com um pacote de 30 bilhões de reais para socorrer exportadores e adotou um discurso de defesa da soberania nacional.
Além disso, o Planalto tem buscado associar o tarifaço à atuação da família Bolsonaro, especialmente Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos e teria feito lobby pela imposição das tarifas. Em discursos recentes, Lula chamou o ex-presidente e seu filho de traidores da pátria e os responsabilizou pelos prejuízos econômicos causados pela medida.
Apesar da estratégia, a tentativa de vincular o tarifaço à família Bolsonaro não teve efeito unânime. Segundo levantamento do Datafolha, 35% dos entrevistados culpam Lula pela crise, enquanto 39% atribuem a responsabilidade a Jair e Eduardo Bolsonaro. A percepção varia conforme o posicionamento político dos entrevistados: entre os que votaram em Lula, apenas 11% o responsabilizam, enquanto 73% culpam os Bolsonaro.
A avaliação positiva do governo é mais expressiva entre moradores do Nordeste, beneficiários do Bolsa Família, pessoas com até o ensino fundamental, católicos e brasileiros com renda de até dois salários mínimos.
Entre os eleitores sem posição política, o índice dos que consideram Lula melhor que Bolsonaro subiu de 33% para 37%, enquanto os que o consideram pior recuaram de 37% para 27%.
Na disputa simbólica entre os dois governos, Lula voltou a superar Jair Bolsonaro: 43% dos entrevistados consideram o petista melhor, contra 38% que preferem o ex-presidente. Em julho, a preferência era inversa.
A pesquisa Genial/Quaest revela que, mesmo em meio a uma crise internacional e embates políticos internos, o governo Lula conseguiu recuperar parte de sua popularidade. A condução da crise e a narrativa adotada pelo Planalto parecem ter surtido efeito em segmentos estratégicos do eleitorado, embora a polarização continue a marcar a percepção pública.



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