A Matemática do Privilégio: Aulas Práticas de Desperdício Público
Se a vida fosse uma sala de aula, o Brasil estaria matriculado no curso avançado de “Economia Genial para Privilegiados”. A fórmula é simples, quase poética: gastar R$ 100 milhões para economizar R$ 5 milhões por ano. É o tipo de cálculo que faria qualquer professor de matemática pedir exoneração por vergonha alheia.
A Câmara dos Deputados sob o argumento de economizar R$ 5 milhões por ano, está reformando 2 prédios usados como apartamentos funcionais para os pobres deputados federais a um custo de R$100 milhões. Retorno do investimento 20 anos, com direito a outras reformas no intervalo.
Mas calma, não é burrice — é método. É o MBA do desperdício público, com direito a estágio remunerado em corrupção e bônus em privilégios. Enquanto o cidadão comum faz malabarismo para pagar aluguel e supermercado, nossos ilustres representantes ganham reformas dignas de revista de arquitetura, tudo carimbado com o selo oficial de “racionalidade orçamentária”.
O discurso é sempre o mesmo: “investimento de longo prazo”, “modernização necessária”, “economia futura”. Traduzindo: uma obra superfaturada hoje, uma promessa de economia amanhã, e uma nova reforma antes que a conta feche. É como comprar uma Ferrari para economizar gasolina — só que quem paga é o contribuinte, e quem dirige são os deputados.
Reforma de luxo não é gasto, é “planejamento”. Poltrona de couro? Ergonomia. Lustre de cristal? Eficiência energética. Tapete importado? Isolamento acústico. Tudo tem uma justificativa técnica, porque a matemática do privilégio não se ensina em escolas públicas — ela se aprende nos corredores do poder, onde cada centavo vira oportunidade de enriquecimento.
Enquanto isso, a plateia — nós — assistimos ao espetáculo. Contamos moedas, fazemos fila no SUS, enfrentamos ônibus lotados. Mas não se preocupe: nossos representantes estão confortáveis, climatizados e reformados. Afinal, alguém precisa estar bem acomodado para continuar nos explicando que “não há dinheiro para saúde e educação”.
Se há uma lição nessa aula de economia, é que o desperdício público não é acidente, é currículo. O Brasil não precisa de Harvard ou Oxford: já temos o Congresso, a verdadeira universidade da matemática criativa. E o diploma? Esse é pago com nossos impostos, claro.
Quer saber? Talvez devêssemos aceitar: não é incompetência, é arte. A arte de transformar milhões em migalhas, privilégios em direitos adquiridos e corrupção em rotina. Uma aula magna de como zombar de muitos para enriquecer poucos.



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