Destaques

A musa da Ctrl+C, Ctrl+V na Aleam

Se criatividade fosse critério para ocupar cargo público, talvez a deputada estadual Débora Menezes (PL-AM) estivesse mais bem colocada como estagiária de fotocopiadora do que como representante do povo. Pela segunda vez, ela foi flagrada copiando projetos de outros parlamentares — um de São Paulo, outro da Paraíba — como quem faz trabalho escolar na véspera da entrega. Quase esquece de trocar o nome do autor e mandar imprimir.

Com um salário que ultrapassa os 30 mil reais mensais, mais verbas de gabinete e outras regalias, esperava-se que Débora Menezes ao menos abrisse um editor de texto e tentasse pensar por conta própria. Mas não: parece que o esforço intelectual exigido para legislar é um obstáculo intransponível. Afinal, por que ralar quando se pode copiar e colar, não é mesmo?

Entre suas obras-primas está a Lei 6.541/2023, que proibia piadas sobre crenças cristãs e previa multa de 500 mil reais — uma tentativa de censura que foi derrubada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas por violar a liberdade de expressão e o princípio da laicidade do Estado. Já a outra pérola, que proíbe linguagem neutra nas escolas, foi parar no Supremo Tribunal Federal, onde enfrenta acusações de inconstitucionalidade e invasão de competência federal.

Débora se apresenta como defensora da infância e da moral cristã, mas sua atuação legislativa parece mais inspirada em roteiros de comédia involuntária. Enquanto o Amazonas enfrenta desafios reais — como saúde precária, educação deficiente e infraestrutura abandonada — a deputada prefere importar pautas de outros estados e vendê-las como grandes conquistas inovadoras.

Se a Assembleia Legislativa fosse uma sala de aula, Débora Menezes já teria sido chamada na coordenação por cola reincidente. Mas como é política, o máximo que acontece é virar manchete e render uns memes. E assim segue o mandato: sem ideias, sem originalidade, mas com muita disposição para copiar — e cobra caro por isso.

Publicar comentário