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A realidade por trás números: Mulheres chefes de família no Amazonas e no Pará

Na região Norte do Brasil, a presença feminina na liderança dos lares tem se tornado cada vez mais expressiva. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE, mais da metade dos domicílios em Manaus são chefiados por mulheres, totalizando 337.942 lares, o que representa 53,59 por cento. No estado do Amazonas, esse índice é de 50,01 por cento. Esses números revelam não apenas uma mudança na dinâmica familiar, mas também desafios sociais e econômicos enfrentados por essas mulheres, muitas das quais criam seus filhos sozinhas.

A realidade das mães solo inclui dificuldades com o acesso a creches, instabilidade profissional e sobrecarga de responsabilidades domésticas. Muitas delas atuam no mercado informal, sem garantias trabalhistas ou previdenciárias, enquanto outras lutam para conseguir vagas escolares para os filhos ou atendimentos especializados em saúde.

Em resposta a esse cenário, o estado do Amazonas lançou em 2025 o Programa Estadual de Apoio às Mulheres Chefes de Família. Entre as ações previstas estão cursos de qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo, atendimento psicológico e jurídico gratuito, além de parcerias com empresas para facilitar a inserção dessas mulheres no mercado de trabalho. Na cidade de Parintins, por exemplo, o programa de reassentamento habitacional identificou que 55 por cento das famílias atendidas eram lideradas por mulheres, que passaram a ter prioridade no acesso à moradia e capacitação.

No Pará, cerca de 1,389 milhão de domicílios são chefiados por mulheres, o que representa 48,91 por cento. Embora seja um dos estados com maior número de famílias lideradas por mulheres, a precariedade econômica afeta grande parte dessas famílias. Mais de 820 mil mulheres chefes de família recebem até um salário mínimo mensal. A extinção do programa municipal Bora Belém, que beneficiava milhares de mães solo, agravou ainda mais essa condição.

Casos como o de Rosilene Braga, moradora de Belém que vive sem energia elétrica e depende de trabalhos informais, ilustram os obstáculos enfrentados. Já Selene Matni, mãe de três crianças neuroatípicas, sobrevive com auxílio social enquanto cursa biomedicina, conciliando estudos e maternidade sem apoio familiar.

A presença crescente de mulheres na chefia das famílias no Amazonas e no Pará é expressão de transformações sociais profundas, mas também sinal de vulnerabilidade e abandono. A implementação de políticas públicas voltadas para autonomia financeira, educação, saúde e moradia é essencial para garantir que essas mulheres não apenas mantenham seus lares, mas também tenham oportunidade de se desenvolverem plenamente.

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