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Amazônia pode gerar R$330 bi até 2040 em benefícios no Saneamento

A universalização do saneamento básico na Amazônia Legal pode representar um marco histórico para o desenvolvimento da região. Segundo estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria EX ANTE, os benefícios econômicos e sociais podem alcançar até 330 bilhões de reais até o ano de 2040. A cada real investido, estima-se um retorno de cinco reais e dez centavos em ganhos para a sociedade. No entanto, a realidade atual ainda é marcada por profundas desigualdades, especialmente em Manaus, capital do Amazonas.

A Amazônia Legal abrange nove estados e mais de 770 municípios, somando cerca de 26 milhões de habitantes. Mais de nove milhões de pessoas vivem sem acesso à água potável e apenas 16 por cento do esgoto é tratado. Estima-se que mais de 850 milhões de metros cúbicos de esgoto sem tratamento sejam despejados anualmente nos rios da região, comprometendo a saúde pública, a produtividade econômica e a preservação ambiental.

Manaus e os Desafios Estruturais

Apesar de estar localizada no coração da maior floresta tropical do planeta, Manaus figura entre os 20 piores municípios do país em saneamento básico, segundo o Ranking do Saneamento 2025. A cidade ainda convive com graves deficiências. Em 2022, milhões de metros cúbicos de esgoto foram despejados nos rios sem qualquer tipo de tratamento. Mais de dois milhões e setecentos mil amazonenses ainda não têm acesso adequado à água tratada e à coleta de esgoto. O retorno econômico estimado para Manaus é de 384 reais por habitante, abaixo da média de outras capitais da região.

Desde 2018, a concessionária Águas de Manaus investiu mais de um bilhão e seiscentos milhões de reais em obras de saneamento. Os resultados incluem o aumento da cobertura de esgotamento sanitário de 19 para mais de 35 por cento. Mais de 600 mil pessoas passaram a contar com coleta e tratamento de esgoto. Foram implantados mais de mil quilômetros de redes coletoras e 150 estações de tratamento de esgoto.

Além disso, a prefeitura está em fase de elaboração do novo Plano Municipal de Saneamento Básico, com previsão de conclusão em outubro de 2025. O plano incluirá componentes como drenagem urbana e gestão de resíduos sólidos, além dos serviços de água e esgoto.

A universalização do saneamento não é apenas uma questão de infraestrutura, mas de dignidade. Como destaca Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil, o ganho de 330 bilhões de reais oferece a oportunidade de recuperar áreas degradadas e melhorar a qualidade de vida dos povos tradicionais e das populações vulneráveis.

Em Manaus, moradores como a professora aposentada Yone Araújo já sentem os efeitos positivos da expansão do sistema. Ela relata que usou fossa por 29 anos e hoje sabe que o esgoto é tratado antes de voltar à natureza.

O estudo aponta que, após 2040, os benefícios acumulados podem chegar a 972 bilhões de reais, consolidando o saneamento como vetor de transformação para a Amazônia Legal. Em Manaus, embora haja avanços, o desafio é monumental. A capital amazonense precisa acelerar sua jornada rumo à universalização, garantindo saúde, sustentabilidade e prosperidade para todos os seus habitantes.

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