Destaques

Brasil bate recorde de feminicídios e estupros em 2024, revela Anuário da Segurança Pública

O Brasil registrou em 2024 os maiores índices da história nos crimes de feminicídio e estupro, conforme a 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados revelam uma realidade preocupante: a violência contra mulheres continua sendo uma epidemia silenciosa, atingindo principalmente mulheres negras, jovens e em situação de vulnerabilidade.

Feminicídio

Foram registrados 1.492 casos de feminicídio, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. O número representa um aumento de 0,7% em relação ao ano anterior. Mais de 63% das vítimas eram mulheres negras. A faixa etária mais afetada foi entre 18 e 44 anos, com destaque para mulheres entre 35 e 39 anos. Cerca de 64% dos crimes ocorreram dentro da residência da vítima, e 80% foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros. O uso de armas brancas foi predominante, seguido por armas de fogo.

Estupros

O país registrou 87.545 casos de estupro, o maior número desde o início da série histórica em 2011. Cerca de 77% dos casos foram classificados como estupro de vulnerável, ocorrendo contra vítimas menores de 14 anos. Mais de 51 mil vítimas tinham até 13 anos, representando mais de 60% do total. A maioria dos crimes ocorreu dentro de casa, e quase metade dos agressores eram familiares. Mulheres negras também foram maioria entre as vítimas de estupro.

Destaque por estados

Os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Piauí apresentam os maiores índices de feminicídio por grupo de 100 mil mulheres. Já Roraima, Acre e Rondônia lideram os índices de estupro e estupro de vulnerável. A cidade de Boa Vista, em Roraima, ocupa o topo do ranking nacional, com mais de 130 estupros por 100 mil habitantes.

Medidas protetivas

Mais de 100 mil medidas protetivas de urgência foram descumpridas ao longo de 2024. Ao menos 121 mulheres foram assassinadas mesmo estando sob proteção judicial.

Reflexão e alerta

Especialistas como Débora Diniz e Juliana Brandão apontam que os dados revelam uma violência institucionalizada, agravada pela falta de políticas públicas específicas e pela subnotificação dos casos, especialmente os que envolvem crianças e adolescentes.

Esses números não representam apenas estatísticas, mas vidas interrompidas. O desafio agora é transformar os dados em ações concretas: fortalecer políticas públicas, garantir proteção efetiva e promover uma mudança cultural profunda.

Publicar comentário