Carta aberta ao senhor Donald J. Trump (ou qualquer outro aliado brasileiro, deputado, senador, ex presidente, aspirante a reality show com aspirações geopolíticas)
Do povo brasileiro — aquele que dança frevo em meio à inflação e sobrevive ao calor de Manaus com a leveza de quem sabe rir da própria desgraça.
Senhor Trump,
Viemos, com todo o jeitinho brasileiro, oficializar o pedido para nos tornarmos o quinquagésimo primeiro estado dos Estados Unidos da América. No lugar do Canadá, por favor — porque quem precisa de tanta neve e civilidade quando se tem calor humano e memes diários?

Abrimos mão da nossa soberania nacional, sim. Entregamos de bandeja nossa Amazônia, nossas terras raras, e qualquer pretensão de independência — tudo em troca de:
– O direito divino de comer em fast foods com refil infinito e porções que desafiam a gravidade
– Uma filial oficial de Hollywood em Manaus, com tapete vermelho sobre a lama e blockbuster sobre o boto cor-de-rosa
– Salário em dólar, claro, com descontos em camisetas “I survived the Brazilian economy and Lula (Sobrevivi à economia brasileira e ao Lula)”
– Um sistema de saúde que não exija a venda de um rim para comprar antibiótico
– SUVs gigantes, para atravessar ruas alagadas como se fosse cena de filme
Além disso, oferecemos em troca:
– Carnaval como feriado nacional, com desfile em frente à Casa Branca no 4 de julho
– Açaí como produto estratégico, servido em missões diplomáticas
– Ivete Sangalo como Ministra de Boas Vibrações
Aguardamos ansiosamente as instruções para jurar lealdade ao McDonald’s e ao algoritmo do TikTok, e exigimos com toda formalidade tropical um episódio especial de “Keeping Up with the Brasileiros”.
Com todo respeito e irreverência que só um povo colonizado com estilo pode oferecer,
O povo brasileiro



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