Destaques

Da Sala de Aula aos Sonhos Realizados

Por Carla Queiroz

Eu nunca fui aluna nota 10. Também não ocupava a última carteira da sala — nem do boletim. Estava sempre ali, no meio, entre a dedicação e o cansaço, buscando com afinco desenvolver cada atividade que a escola me pedia. Em dezembro de 2001, concluí o antigo Magistério, carregando nas costas não só os livros como também o peso das responsabilidades de casa, das filhas pequenas e dos irmãos que ainda precisavam de cuidado. Minha mãe trabalhava fora. E mesmo depois de construir minha própria família, eu ainda era apoio para ela.

Cinco anos se passaram até que resolvi tentar um novo voo: o vestibular para a Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O resultado não veio como eu esperava. Não desisti. Tentei novamente, pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Pedagogia foi o plano inicial, mas acabou ficando de lado. E como último trilho possível, embarquei no curso de Licenciatura em Letras. Não era paixão, era necessidade. Era futuro. Era currículo. Era vida.

Comecei a estudar em 2006, à noite, depois do trabalho e das tarefas domésticas. Tinha dias em que o cansaço gritava mais alto que os sonhos, e a desistência parecia sedutora. Mas persisti. Foram noites de sono escasso, manhãs aceleradas, crianças para levar à escola, trabalhos a entregar e a certeza de que cada esforço me aproximava de algo maior.

Depois de quatro anos e meio, entre altos e baixos, chegou o momento que parecia distante: a colação de grau em 19 de agosto de 2011. Recebi o título de Licenciada em Letras — com ele, um misto de alívio, orgulho e emoção que ainda me acompanha.

Essa conquista me preparou para algo ainda maior. Em 2013, fui convidada a assumir a gestão de uma escola municipal. Nunca tinha ocupado tal cargo, mas aceitei. Foram dois anos de descobertas, organização, escuta, projetos políticos pedagógicos e aprendizagem coletiva. Como gestora, aprendi que conduzir uma escola é mais do que planejar — é transformar.

Hoje, sigo minha jornada em sala de aula, agora como professora. E mesmo diante dos desafios diários, me sinto plena. Atuar no ensino é mais que profissão — é missão. É estar onde sempre desejei, ainda que, lá atrás, não soubesse o tamanho do caminho que teria que percorrer.

Como destaca a educadora brasileira Tânia Zagury:  

> “Educar é um ato de amor, coragem e compromisso com o futuro.”

E é por esse futuro que continuo lutando, ensinando, aprendendo e agradecendo.

Especialista em Gestão, Supervisão, Orientação e Inspeção Escolar.

Licenciada em Letras.

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Ildiely Almeida

❤️

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