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DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA: INOVAÇÃO E PARCERIAS IMPULSIONAM PROJETOS DO CENTRO DE BIONEGÓCIOS

Por Wandril Viana

Manaus, 24 de Maio de 2024

Sr. Marcio Miranda, atual Diretor Geral do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), traz consigo uma vasta experiência na gestão de ciência, tecnologia e inovação, tendo ocupado posições de destaque tanto no setor público, como diretor da Embrapa, quanto no privado, como presidente do CGEE. Com um currículo internacional robusto, Miranda atuou como gestor e consultor em organizações como Crop Trust na Alemanha, FAO e Bioversity International em Roma, além de ser consultor do One CGIAR. Formado em genética vegetal, sua especialização em recursos genéticos para a agricultura na Amazônia lhe conferiu um papel central na coordenação de redes de pesquisa pelo IICA. Sua liderança no CBA é supervisionada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), e ele também é consultor na área de modelos de negócios em biodiversidade pelo CRIA.

Instalado no Polo Industrial de Manaus, o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) ocupa um complexo de 17 mil metros quadrados e foi estruturado em 2002 com investimentos da Suframa. Vinculado ao MDIC desde 2023, o CBA é composto por mais de trinta unidades, incluindo laboratórios e áreas administrativas, e conta com um quadro de colaboradores altamente qualificados. A instituição oferece serviços de análises físico-químicas e microbiológicas, além de ensaios de eficácia e segurança toxicológica, com a missão de promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia através da bioeconomia.

Na manhã do dia 24 de maio, tive a oportunidade de entrevistar o Sr. Marcio Miranda, Diretor Geral do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA). Durante nossa conversa, Miranda destacou diversos projetos e iniciativas que o centro está conduzindo para promover o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida na região amazônica.

Pergunta 1: Quais são os principais projetos de pesquisa em andamento no centro atualmente?

Sr. Marcio Miranda: Nossa missão é a Amazônia, não apenas o Amazonas, por isso buscamos desenvolver projetos que beneficiem tanto Manaus quanto os municípios do interior do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá. Atualmente, temos um grande projeto para expandir o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e abrigar pequenas empresas, mesmo que esse projeto não esteja diretamente ligado à pesquisa. Empresas estabelecidas aqui podem colaborar conosco para desenvolver produtos a partir de recursos biológicos amazônicos.

Além disso, estamos trabalhando em projetos que agregam valor a produtos já conhecidos, como o chocolate, incorporando matérias-primas amazônicas como cupuaçu, açaí, tucumã e bacaba. Também estamos focados em fortalecer cadeias produtivas de peixes amazônicos, especialmente o pirarucu, buscando agregar valor para os pescadores e manejadores, que são fundamentais na cadeia, mas atualmente recebem pouca valorização. Esses projetos visam fortalecer as cadeias produtivas a partir de produtos amazônicos e promover o desenvolvimento sustentável da região.

Pergunta 2: Quais são as áreas específicas de foco em biotecnologia que o centro está explorando e quais são os potenciais impactos dessas pesquisas?

Sr. Marcio Miranda: Temos várias áreas de atuação em biotecnologia. Um foco importante é na criação de novos materiais, aproveitando resíduos como os da castanha-do-Brasil e da polpa do açaí, que podem ser utilizados na indústria de plásticos, agregando valor e sustentabilidade. Outra área é a de bioinsumos, que busca substituir defensivos agrícolas e fertilizantes com produtos naturais derivados da biodiversidade amazônica, promovendo uma agricultura mais sustentável. Estamos também desenvolvendo biobancos para explorar a microbiologia do solo amazônico, que tem um grande potencial inexplorado. Essas iniciativas visam não só a inovação tecnológica, mas também a criação e fortalecimento de negócios sustentáveis baseados na biodiversidade da Amazônia.

Pergunta 3: Como esses projetos estão contribuindo para o desenvolvimento sustentável da Amazônia e para a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais?

Sr. Marcio Miranda: O maior desafio é levar a modernização e sustentabilidade para comunidades tradicionais e indígenas. Temos um contrato de gestão com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que inclui o impacto positivo na qualidade de vida dessas comunidades. Estamos formando parcerias com universidades e ONGs para identificar e aproveitar oportunidades que gerem renda e emprego local. Focamos em setores como a produção de pirarucu, fibras e óleos vegetais, visando gerar riqueza e melhorar a renda dessas comunidades. A colaboração com Suframa, universidades e ONGs é crucial para alcançar esses objetivos e promover o desenvolvimento sustentável na região.

Pergunta 4: O centro tem parcerias com outras instituições de pesquisa ou empresas? Se sim, como essas parcerias estão impulsionando os projetos de desenvolvimento?

Sr. Marcio Miranda: Sim, as parcerias são essenciais para o CBA. Trabalhamos com centros de ensino e pesquisa regionais como UFAM, IFAM, UEA e o Instituto de Pesquisa Tecnológica para desenvolver nossa proposta institucional. Além disso, para superar as exigências regulatórias dos setores farmacêutico e alimentício, estamos fechando acordos de cooperação com três instituições brasileiras: CIMATEC na Bahia, um instituto especializado em fármacos e alimentos em Santa Catarina, e o SENAI CETIQT no Rio de Janeiro. Essas parcerias nos permitem avançar nos desenvolvimentos até um ponto e, depois, contar com o suporte dessas instituições para cumprir os requisitos regulatórios necessários para que nossos produtos amazônicos cheguem ao mercado.

Pergunta 5: Como o Centro de Biotecnologia da Amazônia está lidando com desafios ambientais e socioeconômicos únicos da região, como o desmatamento e a preservação da biodiversidade?

Sr. Marcio Miranda: Nossa estratégia central é agregar valor à biodiversidade para manter a floresta em pé, promovendo a exploração sustentável em vez da predatória. Isso atrai investidores que preferem práticas sustentáveis. Trabalhamos em conjunto com instituições que compartilham essa visão, oferecendo alternativas ao desmatamento. Alinhamos nossas atividades com a preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico, evitando práticas que perpetuem a pobreza e o desmatamento.

Interagimos com as indústrias do Polo Industrial de Manaus para apoiar nossa estratégia e explorar mecanismos legais para integração, por exemplo, substituindo plásticos de óleo e gás por plásticos da biodiversidade amazônica. O mercado consumidor futuro será crucial, pois demandará produtos naturais, como corantes naturais da biodiversidade amazônica. Trabalhamos para que, no futuro, consumidores possam optar por produtos mais sustentáveis e naturais.

Pergunta 6: Como o Centro de Biotecnologia da Amazônia está lidando com desafios ambientais e socioeconômicos únicos da região, como o desmatamento e a preservação da biodiversidade?

Sr. Marcio Miranda: Nossa estratégia é agregar valor à biodiversidade, promovendo a exploração sustentável em vez da predatória, o que ajuda a manter a floresta em pé e atrai investidores sustentáveis. Trabalhamos em conjunto com outras instituições que compartilham essa visão, criando alternativas ao desmatamento. Interagimos com o Polo Industrial de Manaus para utilizar sua riqueza em apoio à nossa estratégia e explorar mecanismos legais para integrar produtos amazônicos. Um exemplo é a substituição progressiva de plásticos de óleo e gás por plásticos da biodiversidade amazônica. O mercado consumidor exigirá produtos mais naturais no futuro, como corantes naturais da Amazônia, e nosso trabalho se alinha a essas demandas, promovendo produtos mais sustentáveis e naturais.

Pergunta 7: Como o CBA está enfrentando os desafios de financiamento e recursos para garantir a continuidade e o sucesso de seus projetos de desenvolvimento?

Sr. Marcio Miranda: Estamos financiados pelo Governo Federal por meio de um contrato de gestão, recebendo um investimento de 55 milhões de reais em quatro anos. Além disso, buscamos captar recursos adicionais através de parcerias com o Polo Industrial de Manaus e apresentando projetos à FINEP e BNDES. Essa abordagem diversificada nos ajuda a garantir a continuidade e o sucesso de nossos projetos de desenvolvimento.

As palavras do Sr. Marcio Miranda refletem um apelo genuíno à conscientização e engajamento da sociedade em relação às iniciativas do Centro de Pesquisas de Bionegócios da Amazônia. Ele destaca o papel crucial dos jornalistas e dos meios de comunicação na divulgação dessas atividades, ressaltando a importância de estabelecer uma conexão direta com a população local e regional. Ao finalizar sua mensagem, Miranda convida não apenas os habitantes de Manaus, mas também os cidadãos do Estado do Amazonas e da Amazônia brasileira a se envolverem com a missão da instituição de valorizar e promover a biodiversidade amazônica. Essa iniciativa não só representa um esforço para agregar valor aos recursos naturais da região, mas também um compromisso com a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

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