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Desigualdade no Brasil divide estudos: Amazônia segue como epicentro da distância entre ricos e pobres

O Brasil vive hoje um impasse sobre a desigualdade. De um lado, o World Inequality Report 2026, divulgado em 10 de dezembro, aponta que a renda concentrada no topo aumentou entre 2014 e 2024, tornando o país ligeiramente mais desigual. Segundo o relatório, os 10% mais ricos concentram mais da metade da renda nacional, enquanto a metade mais pobre fica com menos de 10%. De outro lado, uma nota técnica do Ipea publicada em 2024 concluiu que a desigualdade teria atingido o menor nível em três décadas, resultado de políticas de transferência de renda e valorização do salário mínimo. A divergência entre os estudos se explica pela metodologia: o Ipea trabalha com pesquisas domiciliares, que tendem a subestimar a renda dos mais ricos, enquanto o relatório global utiliza dados tributários e patrimoniais, captando melhor o topo da pirâmide.  

Na Amazônia, porém, os números reforçam que a região permanece entre as mais vulneráveis do país. O Índice de Progresso Social 2025 mostrou que estados da Amazônia Legal, como Pará, Maranhão e Amapá, estão entre os piores colocados em indicadores de qualidade de vida. Pesquisas recentes apontam que o modelo de desenvolvimento baseado na exploração de recursos naturais e grandes obras aprofundou desigualdades sociais e ambientais, ampliando conflitos territoriais. Em capitais como Macapá e Porto Velho, os indicadores sociais ficaram abaixo da média nacional, revelando que o crescimento econômico não se traduziu em melhoria significativa para a população.  

Essa divergência revela que a desigualdade no Brasil não pode ser analisada apenas por médias nacionais. Enquanto o governo celebra avanços sociais, o relatório global alerta que o país ainda ocupa posição entre os mais desiguais do mundo. O desafio, portanto, é conciliar crescimento econômico com inclusão social, especialmente em regiões historicamente marginalizadas como a Amazônia, onde a distância entre ricos e pobres permanece profunda e resistente.  

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