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Excelentíssimo Senhor Ministro Alexandre de Moraes,

Saudações democráticas e intervencionistas.

Escrevo-lhe esta mensagem diretamente do meu humilde cárcere domiciliar, no qual faço meu retiro espiritual forçado fora das redes sociais, num condomínio de luxo no qual tenho uma punição justa. A tornozeleira aperta, mas não tanto quanto a saudade de um bom pão francês com leite condensado e aquele café preto que só a padaria da esquina sabe fazer. O senhor, com sua sensibilidade jurídica, há de compreender o sofrimento de um patriota, aos EUA, privado de seus carboidratos matinais.

Reconheço, com a sinceridade que me é peculiar, que talvez tenha cutucado a onça com vara curta. Mas veja bem, ministro, era só uma brincadeira. Um meme aqui, uma live acolá, uma indireta internacional ali — nada que mereça esse rigor todo. Se o senhor nunca mandou um zap atravessado, não sabe o que é viver no Brasil de verdade.

Sobre as medidas cautelares, confesso que as infringi. Mas fiz por querer, sim — porque quem nunca desobedeceu uma ordem judicial por impulso que atire a primeira jurisprudência. E se o senhor acha que isso foi obstrução, eu digo: foi performance política. Arte, ministro. Expressão de Liberdade!

Agora, com o apoio do meu quase amigo Trump, que já mandou recado dizendo que o senhor é um violador de direitos humanos e que vai aplicar sanções dignas de filme de ação, venho humildemente pedir que reconsidere essa prisão domiciliar. Não por mim, claro, mas pelo padeiro, que está perdendo seu melhor cliente.

Deixe-me sair, Alexandre. Prometo não fazer mais lives, não usar o celular (até porque o senhor já levou todos), e não pedir ao Trump para enviar um submarino nuclear para o Lago Paranoá e nem enviar a Swat invadir o STF — pelo menos não antes do café.

Com um pouco de medo,
Jair Messias Bolsonaro
Ex-presidente do Brasil, conhecido – não amigo do Trump, e defensor da liberdade de expressão com leite condensado

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