Exportação de Carne Brasileira Enfrenta Pressão Política nos EUA, Apesar de Alta Competitividade
A carne bovina brasileira, reconhecida mundialmente por sua qualidade e competitividade, está no centro de uma disputa comercial acirrada com os Estados Unidos. A National Cattlemen’s Beef Association (NCBA), principal entidade representativa dos pecuaristas americanos, intensificou sua pressão sobre o governo dos EUA para que adote medidas mais duras contra as exportações brasileiras. Em carta enviada ao Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a associação pede a suspensão total das compras de carne do Brasil, alegando preocupações sanitárias e concorrência desleal.
Desde agosto, a carne brasileira passou a ser taxada em 76,4% ao entrar no mercado americano — resultado da sobreposição da tarifa anterior de 26,4% com uma nova cobrança de 50% imposta pelo governo Trump. A medida, segundo a NCBA, ainda é insuficiente para conter o avanço das exportações brasileiras. “A moeda brasileira mais fraca e o menor custo de produção permitirão que o Brasil absorva a tarifa e continue a exportar carne bovina para o mercado americano de forma relativamente inabalável”, afirmou Kent Bacus, diretor da entidade.
Apesar da alta tributação, os dados mostram que o Brasil continua competitivo. A carne brasileira é essencial para a produção de carne moída nos EUA, especialmente pelas aparas magras que não são produzidas em quantidade suficiente no mercado interno americano. A Meat Import Council of America (MICA), que representa os importadores de carne nos EUA, defende a manutenção das compras brasileiras, alertando que a suspensão pode gerar prejuízos para consumidores e produtores americanos.
A disputa ocorre em um momento de forte crescimento das exportações brasileiras. Mesmo com o tarifaço, o Brasil registrou aumento de 25% nas vendas externas de carne bovina em agosto, com média diária de 12,3 mil toneladas. A China segue como principal destino, mas os EUA ainda ocupam posição relevante, apesar da queda de 80% nas exportações entre abril e julho.
O governo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, tem buscado alternativas diplomáticas para mitigar os impactos das tarifas e ampliar a cota de exportação isenta de tributos. A expectativa é que novas negociações bilaterais possam reequilibrar a balança comercial e garantir maior previsibilidade ao setor.
Enquanto isso, a indústria brasileira segue apostando na diversificação de mercados e na valorização de cortes premium para manter sua liderança global. A pressão americana, embora significativa, não parece suficiente para frear o avanço da carne brasileira — que continua sendo um dos pilares do agronegócio nacional e uma peça estratégica no comércio internacional.



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