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Fux, o Flexível

Era uma vez um ministro do Supremo, Luiz Fux, que acordou um belo dia com o espírito de Janus — aquele deus romano de duas caras. De um lado, o Fux punitivista, empunhando a Constituição como um porrete contra os manifestantes que invadiram as sedes dos poderes. “A lei é dura, mas é a lei!”, bradava ele, com a toga tremulando ao vento da moralidade.

Mas eis que, no segundo ato, surge o Fux relativista, mais suave que camomila, mais compreensivo que terapeuta de celebridade. Diante de Bolsonaro, o ex-presidente que, segundo alguns, parecia ter perdido a senha do próprio golpe, Fux se transforma. O tom muda, a retórica se acalma, e a culpa… ah, a culpa! Essa foi elegantemente transferida ao mordomo da vez: o tenente-coronel Mauro Cid.

Cid, que talvez só tenha esquecido de apagar o histórico do WhatsApp, virou o bode expiatório oficial. Um verdadeiro herói trágico, digno de novela das nove. Enquanto isso, Bolsonaro sai pela porta da frente, com ares de quem só estava ali para “tomar um café”.

E Fux? Fux segue firme, flexível como um contorcionista jurídico. Ora rígido como um código penal em latim, ora maleável como parecer técnico em época de eleição. A incoerência? Um detalhe. A covardia? Uma virtude disfarçada de prudência.

A plateia aplaude, confusa. Uns por convicção, outros por costume. E o Supremo, esse palco de altos dramas e viradas inesperadas, continua sua peça — onde o roteiro muda conforme o protagonista.

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