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Junho de 2025: Calor extremo na Europa e crise climática na Amazônia

O mês de junho de 2025 entrou para a história como o terceiro mais quente já registrado no planeta, segundo dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus. A Europa Ocidental enfrentou temperaturas recordes, com média de 20,49 °C, tornando-se o junho mais quente da região desde o início dos registros.

Entre os dias 17 de junho e 5 de julho, o Copernicus identificou anomalias térmicas de 1,10 °C acima da média histórica (1991–2020), com duas intensas ondas de calor que se originaram na Península Ibérica e se espalharam por França, Reino Unido, Alemanha e outras regiões do sul europeu. A cientista Freya Vamborg destacou que o fenômeno foi agravado pelas temperaturas elevadas da superfície do mar no Mediterrâneo Ocidental, que continuaram subindo ao longo do mês e contribuíram para o aumento do estresse térmico.

Apesar de junho de 2025 não ter superado os recordes dos anos anteriores, os especialistas alertam para a persistência do aquecimento global. A temperatura média global ficou cerca de 1,30 °C acima dos níveis pré-industriais, mantendo a tendência de extremos climáticos em diferentes partes do mundo.

Na Amazônia brasileira, enquanto a Europa enfrentava o calor escaldante, a região vivenciava uma cheia histórica. O Rio Negro atingiu 29,04 metros em Manaus, afetando mais de 530 mil pessoas em 40 municípios do estado do Amazonas. A cheia, considerada atípica para o mês de julho, foi impulsionada por chuvas intensas e pelo represamento natural causado pelo Rio Solimões.

Além disso, a Amazônia sofre com o avanço do desmatamento. Um estudo do Imazon revelou que a área devastada na Amazônia Legal cresceu 15% entre agosto de 2024 e julho de 2025, totalizando mais de 2.825 km² de vegetação derrubada. A degradação ambiental está diretamente ligada ao aumento das queimadas e à intensificação das mudanças climáticas.

A combinação de calor extremo na Europa e eventos climáticos extremos na Amazônia evidencia um desequilíbrio ambiental global. Especialistas alertam que, sem ações coordenadas e políticas públicas eficazes, o planeta continuará enfrentando fenômenos cada vez mais severos, com impactos profundos na saúde, na economia e na biodiversidade.

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