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O endividamento das famílias brasileiras atinge 49% e pressiona orçamentos regionais

O Banco Central informou que o índice de endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro alcançou 49 por cento da renda acumulada em maio, aproximando-se do recorde histórico de 49,9 por cento registrado em julho de 2022. O comprometimento da renda mensal com dívidas também aumentou, passando de 27,4 para 27,8 por cento.

Apesar da leve queda nas dívidas imobiliárias, que passaram de 30,8 para 30,7 por cento, o cenário geral preocupa especialistas. A taxa básica de juros, atualmente em 15 por cento ao ano, tem elevado o custo do crédito e dificultado a renegociação de dívidas. Especialistas associam esse aumento do endividamento à estagnação dos salários, à inflação persistente e ao crescimento da informalidade no mercado de trabalho. As modalidades de crédito mais utilizadas continuam sendo o cartão de crédito e o crédito pessoal, cujas taxas anuais superam 58 por cento.

Nos estados do Amazonas e do Pará, os números revelam contrastes significativos. No Amazonas, 55,1 por cento das famílias estão endividadas e 29,6 por cento estão inadimplentes, com destaque para o uso de cartões de crédito e empréstimos bancários. A cidade de Manaus concentra cerca de 70 por cento dos inadimplentes do estado, totalizando mais de 1,1 milhão de pessoas com restrição de crédito. Já no Pará, o número de famílias endividadas chega a 68,4 por cento, enquanto a inadimplência está em 22,2 por cento. A modalidade mais comum de dívida no estado é o cartão de crédito, utilizado por mais de 82 por cento das famílias endividadas.

Economistas sugerem que as regiões Norte necessitam de mais investimentos em educação financeira e políticas públicas que facilitem o acesso ao crédito responsável, além de promover o planejamento familiar para lidar com os desafios econômicos atuais.

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