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Os maiores desmatadores da Amazônia: quem são e como atuam

Apesar dos esforços recentes para conter a devastação da floresta amazônica, os dados mais atuais revelam um cenário alarmante: grandes grupos econômicos, políticos influentes e empresas com histórico de violações ambientais continuam liderando o desmatamento na região.

Quem são os maiores desmatadores

Um levantamento realizado pelo projeto De Olho nos Ruralistas, com base em 284.235 multas aplicadas pelo Ibama entre 1995 e 2019, identificou os 25 maiores desmatadores da Amazônia. Esses infratores — entre eles grandes empresas agropecuárias, empresários do Sudeste, políticos e até exploradores de trabalho escravo — acumulam juntos mais de R$ 6,3 bilhões em multas corrigidas.

Entre os nomes citados, destaca-se a Agropecuária Vitória Régia, que, embora tenha recebido apenas uma multa, figura entre os maiores infratores devido à gravidade da infração. A maioria dos autuados jamais pagou suas multas e continua operando impunemente.

Estados e municípios mais afetados

Segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o estado do Amazonas liderou o ranking de desmatamento em abril de 2025, com 93 km² de floresta derrubada, representando 40% do total registrado na Amazônia Legal naquele mês. O município de Lábrea foi o mais afetado, com 32 km² desmatados, seguido por Apuí (22 km²) e Maués (15 km²).

Outros estados com altos índices de desmatamento incluem Mato Grosso (38%), Pará (11%) e Roraima (3%). No total, o desmatamento na Amazônia Legal em abril de 2025 atingiu 234 km², um aumento de 24% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Tendência

Após dois anos de queda, o desmatamento voltou a crescer em 2025. Só entre janeiro e março, a área desmatada aumentou 17,8% em comparação ao mesmo período de 2024. A degradação florestal — que inclui queimadas e extração seletiva de madeira — também bateu recordes, com crescimento superior a 329%.

Os dados desmentem a ideia de que o desmatamento é causado pela pobreza ou por práticas culturais. Na verdade, ele é impulsionado por interesses econômicos poderosos e pela falta de punição efetiva. A floresta continua sendo vista por muitos como um ativo a ser explorado, e não como um ecossistema vital para o equilíbrio climático do planeta.

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