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Programa Federal Contra o Desmatamento Avança no Amazonas, Mas Ausência de Manaus Gera Críticas

O combate ao desmatamento na Amazônia ganhou reforço com a adesão de nove municípios do estado do Amazonas ao programa federal União com Municípios, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A iniciativa busca fortalecer a atuação local na preservação da floresta, mas a ausência de Manaus, maior cidade da região Norte, causou surpresa e críticas entre especialistas e ambientalistas.

Os municípios amazonenses que formalizaram participação no programa são Apuí, Boca do Acre, Canutama, Humaitá, Itapiranga, Lábrea, Manicoré, Maués e Novo Aripuanã. Eles receberão recursos financeiros, equipamentos e suporte técnico para implementar ações de monitoramento, fiscalização, recuperação de áreas degradadas e incentivo à produção sustentável.

Cada cidade terá acesso a um investimento inicial de 700 mil reais, além de drones, embarcações, veículos e capacitação de equipes locais. O programa é financiado pelo Fundo Amazônia e pelo Projeto Floresta+ Amazônia, com previsão de atender até 30 mil famílias em cinco anos.

Apesar de estar entre os municípios prioritários na lista do governo federal, Manaus não aderiu ao programa. A decisão, ou a falta dela, gerou críticas de especialistas que apontam a importância estratégica da capital no enfrentamento ao desmatamento e às queimadas em seu entorno rural.

“A ausência de Manaus enfraquece a articulação regional. A cidade concentra recursos humanos, tecnológicos e institucionais que poderiam potencializar os resultados do programa”, afirma a pesquisadora ambiental Carla Mendes, da Universidade do Estado do Amazonas.

Ambientalistas alertam para o risco de que atividades ilegais migrem para áreas não contempladas pelo programa, como a zona rural de Manaus e municípios vizinhos. Sem apoio federal direto, essas regiões podem se tornar vulneráveis à pressão do agronegócio ilegal, grilagem e queimadas.

“É preciso garantir que o combate ao desmatamento seja integrado e abrangente. Deixar Manaus de fora pode criar um vácuo de fiscalização e incentivo à preservação”, ressalta Mendes.

Durante evento em Brasília, a ministra Marina Silva reafirmou o compromisso do governo com o desmatamento zero até 2030 e anunciou novos aportes ao programa, que já conta com 150 milhões de reais em investimentos. Segundo o ministério, outros municípios ainda podem aderir à iniciativa em fases futuras.

Enquanto isso, a ausência de Manaus segue como um ponto de interrogação. Em uma região onde a floresta é parte da identidade e da sobrevivência, a articulação entre governos locais e federais será decisiva para transformar promessas em proteção real.

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