STF Interroga Réus do Núcleo Central da Tentativa de Golpe de 2022
Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) avança na fase de interrogatórios dos réus acusados de participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022. As audiências, conduzidas pela Primeira Turma do STF, começaram na segunda-feira (9) e seguem até sexta-feira (13), marcando a reta final da instrução processual.
Entre os interrogados, destacam-se figuras centrais do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, e o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Cid, que firmou acordo de delação premiada, revelou detalhes sobre a chamada “minuta do golpe”, documento que previa a anulação das eleições e a prisão de autoridades do Judiciário e do Legislativo. Segundo ele, Bolsonaro teria lido e feito alterações no texto, removendo alguns nomes, mas mantendo a previsão de prisão do ministro Alexandre de Moraes.
Ramagem, por sua vez, negou ter disseminado documentos que questionavam a segurança das urnas eletrônicas, alegando que se tratavam de anotações pessoais e privadas, sem caráter oficial. O ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, também foi ouvido e é acusado de ter colocado as tropas da Marinha à disposição de Bolsonaro para um eventual golpe militar.
O STF ainda precisa interrogar outras figuras-chave, como Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa, que será ouvido por videoconferência devido à sua prisão preventiva desde dezembro de 2024. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa os réus de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada e outros crimes relacionados.
Com o fim dos interrogatórios, o processo entra na fase de alegações finais, antes de ser levado a julgamento pela Primeira Turma do STF. O desfecho do caso pode representar um marco na responsabilização de atos contra a democracia no Brasil.



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