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Tarifa dos EUA sobre carne brasileira abala exportações e acende alerta na Amazônia

A partir de 1º de agosto de 2025, os Estados Unidos passarão a aplicar uma tarifa adicional de 50% sobre todas as importações de carne bovina brasileira. Somada à alíquota já existente de cerca de 26,4%, essa nova medida elevará a carga tributária total para 76%. A decisão já teve reflexos expressivos: entre abril e julho, as exportações despencaram aproximadamente 80%, caindo de 47.800 para apenas 9.700 toneladas. Estimativas da ABRAFRIGO indicam que o Brasil poderá perder cerca de US$ 1,3 bilhão em receitas com carne bovina apenas no segundo semestre.

A Amazônia Legal é uma das regiões mais vulneráveis a esse impacto. Estados como Amazonas, Pará e Rondônia têm aumentado sua participação na pecuária nacional, especialmente em sistemas de produção a pasto aberto, que representam cerca de 84% dos bovinos abatidos no Brasil. A queda nas exportações pode levar a um excesso de carne no mercado interno, pressionando os preços e reduzindo a rentabilidade dos produtores amazônicos. Além disso, há preocupação quanto à diminuição de investimentos em práticas sustentáveis, o que pode aumentar a pressão por abertura de novas áreas de pastagem, intensificando os riscos ambientais.

Nos Estados Unidos, a decisão ocorre em meio a uma crise histórica na pecuária. O rebanho total caiu para 86,7 milhões de cabeças, o menor patamar desde 1951. O número de fêmeas de corte caiu para 27,9 milhões, o mais baixo desde 1961, e apenas 2,92 milhões de novilhas estão prenhas em 2025, o que representa uma redução de 1,7% em relação ao ano anterior. A escassez elevou os preços da carne: a carne moída, principal insumo para hambúrgueres, ultrapassou US$ 6,10 por libra, e os cortes nobres já se aproximam de US$ 11,50 por libra.

Mesmo com o aumento tarifário, os Estados Unidos enfrentam dificuldades para substituir o Brasil como fornecedor. Os cortes utilizados na carne moída representam aproximadamente 5,4% da disponibilidade total de carne nos EUA, e grande parte vem das exportações brasileiras. Isso torna a nova política comercial um dilema também para o consumidor americano, que pode enfrentar mais alta de preços e escassez do produto.

No Brasil, entidades do setor pedem ações diplomáticas imediatas e a ampliação de acordos com países como México, Chile e Rússia, que têm aumentado suas compras em 2025. Líderes agropecuários na Amazônia reforçam a importância da diversificação de mercados e do fortalecimento de cadeias produtivas locais, com foco em qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, atributos valorizados por consumidores exigentes como os da União Europeia e Japão.

A imposição da tarifa pelos Estados Unidos representa mais que uma questão comercial: é um teste de resiliência para a pecuária brasileira e um alerta para a região amazônica, onde o equilíbrio entre produção, conservação ambiental e inclusão econômica nunca foi tão desafiador.

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