Tarifaço de Trump fortalece imagem de Lula, aponta pesquisa AtlasIntel
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros gerou um efeito inesperado no cenário político nacional. Em vez de prejudicar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como especulavam aliados da oposição, a medida parece ter fortalecido sua imagem junto à opinião pública.
Segundo pesquisa do instituto AtlasIntel, divulgada nesta terça-feira (15) em parceria com a Bloomberg, a aprovação de Lula subiu para 49,7%, enquanto sua desaprovação caiu para 50,3%, caracterizando um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. É o melhor desempenho do presidente desde outubro de 2024.
Realizada entre os dias 11 e 13 de julho com 2.841 entrevistados, a pesquisa revela que o chamado “efeito bumerangue” está relacionado à percepção da população sobre a postura do governo frente à medida norte-americana. Quase metade dos participantes (44,8%) considerou a reação de Lula “adequada”, e 60,2% aprovam a atual condução da política externa brasileira — um avanço significativo em relação aos 49,6% registrados em novembro de 2023.

Além disso, 62,2% dos entrevistados classificaram as tarifas de Trump como “injustificadas”, e 51,2% defendem medidas de retaliação comercial por parte do Brasil. A imagem internacional do presidente também parece fortalecida: 61,1% acreditam que Lula representa melhor o país no exterior que seu antecessor, Jair Bolsonaro. Já Trump enfrenta rejeição — 63,2% dos brasileiros o avaliam negativamente.
Trump justificou as tarifas como resposta ao tratamento dado ao ex-presidente Bolsonaro e às decisões do Supremo Tribunal Federal sobre redes sociais norte-americanas. A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, deve afetar setores como o agronegócio, a siderurgia e a indústria aeronáutica brasileira.
Economistas estimam que o tarifaço pode reduzir o PIB do Brasil em até 0,5 ponto percentual e causar uma queda de aproximadamente US$ 9,4 bilhões na balança comercial ao longo de um ano. Ainda assim, parte da produção afetada poderá ser redirecionada ao mercado interno, o que pode ajudar a conter a inflação.
A pesquisa indica que, embora a medida represente um desafio econômico, ela também abriu espaço para o fortalecimento político de Lula, que soube transformar uma crise diplomática em uma oportunidade de reafirmação da liderança nacional.



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