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Tragédia em Manaus expõe crise na infraestrutura e provoca embate político na ALE-AM

Manaus (AM) — A morte da biomédica Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, grávida de sete meses, e de sua filha, após um acidente causado por um buraco na avenida Djalma Batista, reacendeu o debate sobre a precariedade da malha viária de Manaus e gerou forte tensão política na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).

O episódio, ocorrido no domingo (22), comoveu a população e provocou uma onda de protestos nas redes sociais. O acidente aconteceu quando a motocicleta conduzida pelo marido de Giovana caiu em uma cratera na via. Ele sobreviveu, mas sofreu ferimentos graves.

Durante sessão na ALE-AM, o deputado estadual Daniel Almeida (Avante), irmão do prefeito de Manaus, David Almeida, tentou minimizar a tragédia ao afirmar que “estão querendo fazer um alarde por causa de um buraco”. A declaração foi recebida com vaias e duras críticas de outros parlamentares, que acusaram o deputado de insensibilidade e de tentar blindar a gestão municipal.

O deputado Delegado Péricles (PL) classificou o caso como uma “tragédia anunciada” e propôs a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o uso de R$ 181 milhões repassados pelo Governo do Estado ao programa Asfalta Manaus. Segundo ele, os recursos estariam sendo aplicados de forma ineficiente, com obras superficiais e recapeamentos em áreas que não demandavam intervenção urgente, enquanto bairros periféricos permanecem intransitáveis.

A proposta da CPI ganhou apoio de outros parlamentares, que também questionaram a transparência na aplicação de mais de R$ 1 bilhão em investimentos na recuperação da malha viária da capital. O clima na ALE-AM é de crescente insatisfação com a gestão municipal, e há expectativa de que a CPI seja instalada nas próximas semanas.

A Prefeitura de Manaus, por sua vez, ainda não apresentou um posicionamento detalhado sobre o caso, mas aliados do prefeito defendem que a cidade nunca esteve tão asfaltada quanto agora. Ainda assim, a pressão por responsabilização cresce, e o caso de Giovana e sua filha se tornou símbolo do que muitos consideram um colapso na infraestrutura urbana da capital amazonense.

A tragédia não apenas escancarou os riscos enfrentados diariamente por quem circula pelas ruas de Manaus, mas também colocou em xeque a eficácia dos investimentos públicos e a responsabilidade das autoridades diante da vida da população.

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